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Copom se reúne quarta: agronegócio espera Selic a 14% e sinal de novos cortes

O agronegócio aguarda com expectativa a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) prevista para esta quarta-feira (05.08). O Copom deve reduzir a taxa básica de juros, a Selic, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão será anunciada à noite e poderá representar o quarto corte consecutivo promovido pelo Banco Central.

Para produtores, cooperativas, revendas de insumos, fabricantes de máquinas e agroindústrias, uma redução de 0,25 ponto percentual será positiva, mas terá efeito limitado no curto prazo. A principal expectativa do setor está na continuidade do ciclo de queda, e não apenas na decisão desta semana.

A possibilidade de um novo corte ganhou força depois da desaceleração da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) avançou 0,06% em julho, abaixo dos 0,41% registrados em junho.

Em 12 meses, o indicador acumula alta de 4,52%. O grupo alimentação e bebidas recuou 0,66% no mês, depois de subir 0,74% em junho. O resultado ajudou a abrir espaço para a redução dos juros, embora a inflação continue acima do centro da meta, de 3%.

No campo, a Selic elevada pressiona principalmente as operações realizadas fora das linhas subsidiadas. Entram nesse grupo parte dos financiamentos de custeio, capital de giro, Cédulas de Produto Rural (CPRs), compras parceladas de insumos e empréstimos contratados por cooperativas e empresas da cadeia.

A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS) identificou que a maior parte das operações de crédito rural contratadas no Estado vem sendo realizada fora das linhas subsidiadas do Plano Safra. Isso deixa o produtor mais exposto às taxas de mercado.

Em março, 59% dos recursos liberados em Mato Grosso do Sul foram destinados ao custeio. Os investimentos representaram 14%, sinal de que os produtores estão priorizando a manutenção das lavouras e adiando projetos de expansão, modernização e compra de máquinas.

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Para as empresas que atuam no agronegócio, a redução da Selic pode diminuir gradualmente o custo do capital utilizado para financiar estoques, antecipar compras, oferecer prazo aos produtores e manter as operações entre o plantio e a comercialização da safra.

Revendas de insumos, por exemplo, dependem de crédito para comprar fertilizantes, sementes e defensivos antes de receber dos produtores. Cooperativas precisam financiar armazenagem, comercialização, industrialização e capital de giro. Agroindústrias e cerealistas também carregam estoques por períodos prolongados.

Uma Selic menor reduz o custo de captação dessas empresas, mas o repasse não é automático. Bancos e fornecedores consideram também o risco de inadimplência, o prazo da operação, as garantias apresentadas e a situação financeira de cada cliente.

O mesmo vale para o produtor. Contratos antigos com juros fixos não terão as taxas reduzidas por causa da decisão do Copom. O efeito poderá aparecer nas novas contratações, nas operações com taxas variáveis e nas renegociações feitas depois da queda.

As linhas com juros controlados pelo Plano Safra também não acompanham imediatamente cada alteração da Selic. As taxas cobradas dos produtores são definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para todo o ano agrícola.

A queda da Selic pode, entretanto, reduzir a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final paga pelo produtor. Isso diminui a necessidade de equalização de juros pelo Tesouro Nacional e pode facilitar a disponibilidade de recursos subsidiados nos próximos planos agrícolas.

O impacto direto de 0,25 ponto é pequeno. Em uma operação de R$ 1 milhão que acompanhasse integralmente a redução, a economia nominal seria de R$ 2,5 mil em um ano. Em um financiamento de R$ 10 milhões, chegaria a R$ 25 mil.

Na prática, a economia pode ser menor porque as operações incluem margem bancária, avaliação de risco, custos administrativos, seguros e outras despesas. Também pode demorar para aparecer nas propostas apresentadas ao produtor.

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A redução tem importância maior como sinalização. Se o Banco Central indicar que novos cortes poderão ocorrer, as taxas de médio e longo prazo tendem a recuar. Esse movimento pode favorecer financiamentos de máquinas, armazéns, irrigação, energia e recuperação de pastagens.

O setor cooperativista também acompanha a decisão diante da crescente dependência de recursos privados. Uma avaliação divulgada pelo Sistema da Organização das Cooperativas Brasileiras de Santa Catarina (OCB-SC) apontou que apenas parte dos recursos do Plano Safra 2026/27 conta com equalização.

Segundo o levantamento, a redução dos recursos destinados ao custeio aumenta a necessidade de buscar dinheiro no mercado financeiro, onde as taxas são mais próximas da Selic e podem superar os juros das linhas oficiais.

O corte, contudo, não resolve o endividamento acumulado no campo. Estudo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que o crédito rural considerado problemático em Mato Grosso chegou a R$ 21,79 bilhões em abril.

O montante reúne operações inadimplentes, renegociadas ou prorrogadas e corresponde a 18,22% da carteira de crédito rural do Estado. Em 2022, essa participação era de 2,08%.

A inadimplência superior a 90 dias atingiu R$ 5,25 bilhões, ou 4,98% da carteira mato-grossense. O levantamento mostra que o aumento das dívidas está ligado à combinação de juros elevados, custos de produção altos e queda dos preços de produtos como soja e milho depois do pico registrado no período pós-pandemia.

Para esses produtores, uma redução de 0,25 ponto na Selic não altera significativamente a capacidade de pagamento. O alívio depende de renegociações com prazos maiores, carência, juros compatíveis com a renda da atividade e recuperação das margens de produção.

A expectativa do agronegócio, portanto, é que o corte desta quarta-feira seja o início de uma trajetória mais consistente. Uma única redução melhora o sinal, mas não destrava investimentos nem resolve o endividamento.

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