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Novo porto mira exportações do agro e navios de grande porte

Imagem: reprodução/Imetame
Um novo terminal de contêineres em construção em Aracruz (cerca de 80 km da capital, Vitória), no Espírito Santo, promete ampliar as opções de escoamento e acirrar a disputa pelas cargas do agronegócio a partir de meados de 2028. O empreendimento de águas profundas fica a cerca de 80 quilômetros da capital, Vitória, e nasce com o objetivo de atrair rotas marítimas internacionais diretas, reduzindo a dependência de outros portos da região Sudeste.
A demanda local justifica o investimento. Em 2025, o agronegócio capixaba exportou 2,4 milhões de toneladas para 133 países, respondendo por quase um terço (30,7%) das vendas externas do Estado, segundo a Secretaria de Estado da Agricultura (Seag). O café e seus derivados lideram o setor, concentrando 55,7% do faturamento, seguidos por celulose, pimenta-do-reino, gengibre, mamão e carnes.
O custo do atraso nos portos
O gargalo logístico atual pesa no bolso de quem produz. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que, em 2025, os exportadores acumularam R$ 66,1 milhões em prejuízos e despesas adicionais devido a problemas operacionais nos portos brasileiros, como armazenagem extra e multas pelo uso atrasado de contêineres. Naquele ano, a média mensal apontou que 55% dos navios sofreram atrasos ou mudanças de rota.
A nova estrutura em Aracruz terá capacidade projetada para movimentar 1,2 milhão de TEUs por ano (termo técnico que equivale a 1,2 milhão de contêineres de 20 pés). O projeto é uma sociedade meio a meio entre o grupo brasileiro Imetame e a Hanseatic Global Terminals (HGT), subsidiária da Hapag-Lloyd, uma das maiores potências do transporte marítimo mundial.
Para receber os navios modernos de grande porte, o terminal terá 750 metros de cais e 17 metros de profundidade (calado). No entanto, especialistas ponderam que a instalação física, por si só, não é milagre. O ganho real para o produtor dependerá do custo total da operação: o valor do frete rodoviário até o porto, as tarifas cobradas no terminal, o preço do frete marítimo e, principalmente, a regularidade dos navios.
Cronograma em etapas e olho nos grãos
O complexo portuário entrará em operação de forma fatiada. A Imetame planeja abrir a estrutura inicial de “carga geral” (que transporta sacas, fardos e produtos sem contêineres) no final de 2026. Já a gigante de celulose Suzano, que adquiriu 10% de participação no complexo, estima o início dessas operações logísticas para o começo de 2027. O terminal focado exclusivamente em contêineres segue o calendário previsto para meados de 2028.
Além dos contêineres, o porto mira o mercado de granéis sólidos e líquidos, projetando uma capacidade futura de escoar até 15 milhões de toneladas de grãos por ano. Contudo, essa operação de grãos depende de ampliações que só acontecerão em fases posteriores.
Conexão com as ferrovias
Para garantir volume de carga, o projeto não olha apenas para o Espírito Santo. Está prevista a construção de um ramal ferroviário de seis quilômetros para conectar o porto diretamente à Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Essa malha é a grande aposta dos investidores para buscar a produção de grãos e carnes do Centro-Oeste brasileiro.
As obras, iniciadas em junho de 2021, avançam às margens da Rodovia ES-010, com conexões estratégicas para as rodovias ES-445, ES-257 e a BR-101. Para o setor exportador, o foco agora está nos próximos passos: o início das operações gerais e, principalmente, o anúncio de quais linhas marítimas vão atracar ali, a frequência das viagens e as tarifas que ditarão a competitividade do novo porto.

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