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Lavouras de inverno avançam acima da média e reforçam potencial da safra

As lavouras brasileiras de inverno chegaram à segunda metade de julho com desenvolvimento superior à média histórica, mas os temporais registrados no Sul abriram uma nova frente de risco para uma safra de trigo que já deve ser a menor desde 2020. A produção nacional está estimada em 6,03 milhões de toneladas, queda de 23,5% em relação a 2025.

O contraste aparece no Boletim de Monitoramento Agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As imagens de satélite indicam que a vegetação das áreas cultivadas estava mais desenvolvida do que na temporada passada e do que a média dos anos anteriores. Esse resultado, porém, retrata as condições observadas somente até 20 de julho e ainda não incorpora os efeitos das chuvas intensas ocorridas no fim do mês.

O índice de vegetação mede a intensidade e o vigor da cobertura vegetal a partir da luz refletida pelas plantas. Quanto mais ativa e uniforme estiver a lavoura, melhor tende a ser o indicador. O dado ajuda a identificar estresse hídrico, falhas no desenvolvimento e diferenças entre regiões, mas não representa uma previsão definitiva de produtividade.

No trigo, essa distinção é importante. Embora as plantas apresentem bom desenvolvimento em parte do Sul, a área semeada encolheu e limitou o tamanho da safra antes mesmo da ocorrência dos temporais. A produção, estimada anteriormente em 6,30 milhões de toneladas, foi reduzida pela Conab para 6,03 milhões.

Rio Grande do Sul e Paraná concentram a maior parte da produção brasileira. No Estado gaúcho, a redução da área plantada decorre principalmente das margens apertadas, dos preços recebidos na safra anterior e dos custos de implantação. A estimativa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul aponta 814,2 mil hectares de trigo, retração de aproximadamente 30%, e produção de 2,2 milhões de toneladas.

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Até a terceira semana de julho, o tempo firme e a incidência de radiação solar haviam favorecido a emergência e o estabelecimento das lavouras gaúchas. A chegada de chuvas volumosas alterou o quadro e pode provocar encharcamento, dificultar o desenvolvimento das raízes, favorecer doenças e retirar nutrientes das camadas superficiais do solo.

Esse último processo é chamado de lixiviação. A água em excesso transporta nutrientes solúveis para regiões mais profundas do solo, onde as raízes podem não conseguir alcançá-los. O problema pode exigir ajustes no manejo e elevar os custos, especialmente em áreas que receberam adubação pouco antes das chuvas.

No Paraná, a umidade favoreceu inicialmente o trigo e o milho segunda safra, mas também restringiu a entrada de máquinas e a realização de tratamentos preventivos. As lavouras mais precoces de trigo já iniciaram a floração, fase em que o excesso de umidade aumenta a necessidade de atenção ao controle de doenças.

O comportamento do milho segunda safra ajuda a dimensionar os efeitos do clima sobre a produção nacional. O Brasil deve colher 109,43 milhões de toneladas nesse ciclo, responsável por mais de três quartos de todo o milho produzido no país. A colheita total do cereal, considerando as três safras, está projetada em 141,7 milhões de toneladas.

Em Mato Grosso, principal produtor nacional, as produtividades do milho estavam acima das estimativas iniciais, apesar de chuvas terem atrasado pontualmente a retirada dos grãos. No Paraná e em Mato Grosso do Sul, temperaturas baixas e umidade elevada retardaram a secagem natural e reduziram o ritmo das colheitadeiras.

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A situação é diferente em Goiás, onde a interrupção das chuvas a partir de abril encurtou o ciclo das plantas e derrubou o rendimento de parte das lavouras. Em Minas Gerais, áreas semeadas fora da janela recomendada foram atingidas por doenças de final de ciclo e pela irregularidade das precipitações.

O tempo seco favoreceu o algodão no Centro-Oeste e no Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A produção brasileira está estimada em 4,06 milhões de toneladas de pluma, mantendo o país entre os maiores produtores e exportadores mundiais. As condições observadas em julho permitiram o avanço da abertura dos capulhos e da colheita, embora os produtores continuem atentos ao controle do bicudo-do-algodoeiro.

No Sealba, área agrícola que reúne Sergipe, Alagoas e o nordeste da Bahia, o problema é a falta de água. A redução das chuvas comprometeu o milho e o feijão cultivados sem irrigação. Em algumas áreas de milho terceira safra, as perdas de potencial são suficientes para que as plantas sejam destinadas à produção de silagem, em vez da colheita de grãos.

O próximo monitoramento será decisivo para medir se as chuvas no Sul causaram apenas atraso nas operações ou danos capazes de reduzir a produtividade. Até agora, os indicadores mostram lavouras visualmente mais vigorosas. O resultado final, entretanto, dependerá do comportamento do clima durante a floração e o enchimento dos grãos, etapas determinantes para a quantidade e a qualidade do trigo colhido.

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