
Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio
Um quarto de toda a riqueza produzida no Brasil passa pelo agronegócio. Em 2025, o setor movimentou R$ 3,20 trilhões e respondeu por 25,13% do Produto Interno Bruto nacional. O ramo agrícola concentrou R$ 2,06 trilhões desse total, resultado que ajuda a dimensionar a importância econômica de quem planta, investe e assume diariamente os riscos da produção.
A safra brasileira de grãos 2025/26 deverá alcançar 360,1 milhões de toneladas, cultivadas em 83,5 milhões de hectares. São 180,6 milhões de toneladas de soja, 141,7 milhões de milho, além de arroz, feijão, trigo, algodão e outras culturas que abastecem a população, movimentam a indústria e geram excedentes para exportação.
Essa produção sustenta uma cadeia que emprega aproximadamente 28,4 milhões de pessoas, mais de um quarto dos trabalhadores brasileiros. Os empregos estão nas propriedades, cooperativas, fábricas de insumos, armazéns, agroindústrias, transportadoras, frigoríficos, tradings e empresas de serviços. Quando o agricultor planta, uma parte considerável da economia nacional começa a se movimentar.
O resultado também aparece no comércio exterior. Em 2025, as exportações do agronegócio alcançaram o equivalente a R$ 862 bilhões, considerando o câmbio de R$ 5,10, e deixaram saldo positivo próximo de R$ 760 bilhões. Esses recursos ajudam a equilibrar as contas externas, fortalecer as reservas do País e sustentar atividades que estão muito além da porteira.
Foi para reconhecer essa contribuição que o Brasil instituiu, em 1960, o Dia do Agricultor, comemorado em 28 de julho. A escolha recorda o centenário da estrutura administrativa criada por Dom Pedro II, em 1860, que deu origem ao atual Ministério da Agricultura e Pecuária.
Naquele período, o café dominava a economia brasileira e chegou a representar cerca de 60% das exportações nacionais. Hoje, a produção rural é muito mais diversificada. O Brasil lidera a produção mundial de soja, café e açúcar e ocupa posições de destaque nos mercados de milho, algodão, carnes, frutas e celulose.
Essa transformação não aconteceu por acaso. Foi construída com pesquisa, correção de solos, melhoramento genético, mecanização, defesa sanitária e capacidade de adaptação. Também foi construída pelo agricultor que investiu no Cerrado, incorporou novas tecnologias e aprendeu a retirar duas ou até três safras da mesma área.
Apesar dos números, produzir continua sendo uma atividade de risco. O agricultor compra sementes, fertilizantes e defensivos antes de saber quanto receberá pela colheita. Planta sem controlar o clima e vende em um mercado sujeito ao câmbio, aos juros, às guerras, às tarifas e às decisões tomadas por governos estrangeiros.
Depois da colheita, ainda enfrenta estradas precárias, falta de armazenagem e fretes elevados. Em muitos casos, uma safra recorde amplia a oferta, derruba os preços e reduz justamente a renda de quem produziu mais.
Valorizar o agricultor exige mais do que homenagens anuais. Significa garantir crédito em condições compatíveis com a atividade, seguro rural eficiente, assistência técnica, segurança jurídica, armazenagem, infraestrutura e acesso a mercados. O produtor não pede favores. Precisa de condições para continuar fazendo aquilo que os números comprovam ser indispensável ao País.
Neste dia do Dia do Agricultor não poderíamos deixar de prestar essa homenagem aos homens e mulheres que, incansavelmente, sustentam nossa economia, os empregos, as exportações e o abastecimento. Sem o agricultor, o Brasil não apenas deixa de produzir alimentos. Deixa de fechar a própria conta.








