As chuvas frequentes estão dificultando o início do plantio da soja no Rio Grande do Sul, onde a safra 2026/27 deverá ocupar 6,65 milhões de hectares. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (08.10) pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar), a semeadura permanece incipiente, com avanço pontual e restrições à entrada de máquinas devido à elevada umidade do solo.
A maior parte das áreas ainda está em preparação ou aguarda condições para receber as sementes. Os plantios realizados concentram-se principalmente em propriedades que tinham autorização para semear antecipadamente, em setembro. O levantamento informa que a área implantada ainda não tem representatividade estatística para estabelecer um percentual estadual de avanço.
O entrave ocorre quando o Estado se prepara para ampliar a produção, mesmo com uma pequena redução da superfície cultivada. A estimativa inicial da Emater é colher 21,15 milhões de toneladas de soja, com produtividade média de 3.183 quilos por hectare, equivalente a aproximadamente 53 sacas. O volume projetado supera em 15,32% o resultado da temporada anterior, enquanto a área deverá diminuir 0,92%.
Essa recuperação depende do desempenho das lavouras ao longo do ciclo. Por enquanto, o relatório registra dificuldade operacional para implantar a cultura, sem apresentar uma revisão da estimativa de produção em razão do ritmo de semeadura.
Para o produtor, a decisão de entrar na área precisa considerar mais do que a interrupção da chuva. Mesmo depois de o tempo abrir, o terreno pode continuar úmido demais para suportar o trânsito de tratores e semeadoras. Antecipar a operação nessas condições pode comprometer a estrutura do solo e criar problemas que acompanham a lavoura durante seu desenvolvimento.
Informações técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) associam o tráfego intenso de máquinas sobre solo úmido à formação de camadas compactadas, especialmente em terrenos argilosos. A compactação dificulta o crescimento das raízes e pode reduzir a produtividade, tanto em períodos secos quanto sob excesso de chuva.
A cobertura com aveia e azevém tem contribuído para proteger o solo e controlar plantas daninhas, conforme o acompanhamento da Emater. Entretanto, o grande volume de palhada, combinado à umidade persistente, também pode dificultar o trabalho das semeadoras. Nas áreas com dessecação avançada, a retomada depende de condições que permitam realizar a operação com qualidade.
Entre as lavouras semeadas antecipadamente, há registros de boa emergência e adequada população de plantas. Nos locais atingidos por granizo, os danos continuam em avaliação para verificar a capacidade de recuperação da cultura. O quadro exige acompanhamento por área, porque os efeitos dos temporais variam conforme a intensidade do evento e o estágio das plantas.
No mercado, a média estadual da saca de 60 quilos caiu 1,61% na semana, de R$ 142 para R$ 139,71. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, a referência para a soja disponível foi de R$ 149. São cotações de abrangências diferentes e não representam um preço uniforme para todas as propriedades.
Antes de retomar a semeadura, o produtor deve avaliar a umidade do terreno, conferir a regulagem da máquina para trabalhar sobre a palhada e consultar, com assistência técnica, os períodos do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) aplicáveis à sua área. Nas lavouras atingidas por granizo, a avaliação da população e da recuperação das plantas deve orientar eventual decisão de replantio.












