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Embarques crescem, e qualidade ganha peso na negociação da safra

Imagem: reprodução/REUTERS/Paulo Whitaker

O Brasil exportou 3,894 milhões de sacas de café em setembro, alta de 3,1% sobre o mesmo mês de 2025, mas o crescimento dos embarques veio acompanhado de queda de 7,1% na receita, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Além das menores cotações internacionais, a perda de qualidade de parte do arábica atingido pelas chuvas contribuiu para reduzir o valor das vendas. Para o produtor, o cenário reforça a importância de conhecer o padrão dos lotes antes de negociar.

O resultado reúne cafés verdes e industrializados e consta do balanço divulgado na sexta-feira (9). Na avaliação do Cecafé, o faturamento também foi influenciado pelo aumento da participação de conilon e robusta nos embarques, produtos que, em geral, apresentam preços inferiores aos do arábica.

Essa composição ajuda a explicar por que o desempenho das exportações não se traduz de maneira uniforme na renda das propriedades. O preço médio reúne espécies, padrões de qualidade e negócios diferentes. Na comercialização de cada lote, características dos grãos e da bebida podem determinar descontos ou abrir oportunidades de remuneração superior.

A chegada da safra brasileira aos armazéns e ao mercado internacional alterou o ambiente de negociação. Segundo análise da consultoria Safras & Mercado, o atraso da colheita e os estoques baixos haviam sustentado as cotações entre julho e agosto. Em setembro, o aumento da disponibilidade levou o mercado a devolver parte dos ganhos.

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Para os últimos meses do ano, a consultoria espera reforço da oferta com a entrada de produção da Colômbia, da América Central, da África e do Vietnã. Com mais alternativas de abastecimento, compradores podem ganhar espaço para negociar preços.

A oferta total, porém, não resolve necessariamente a procura por determinados padrões. O excesso de umidade no fim da colheita brasileira prejudicou parte dos arábicas, segundo a Safras. Se houver menor disponibilidade de lotes que atendam às especificações dos compradores, os cafés mais bem classificados podem ganhar valor relativo, enquanto os de padrão inferior ficam mais expostos a descontos.

Trata-se de uma possibilidade de diferenciação entre produtos, sem garantia de valorização para todos os cafés de boa qualidade. A remuneração depende também da demanda, do destino comercial e das condições de cada negócio.

Para o cafeicultor, a consequência prática é evitar que toda a produção seja negociada como se tivesse o mesmo padrão. Publicações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) explicam que a formação do preço considera a classificação física dos grãos e a avaliação sensorial da bebida, realizadas a partir de amostras representativas dos lotes.

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Identificar essas características permite comparar propostas para produtos equivalentes. Também ajuda a avaliar se um desconto decorre das condições gerais do mercado ou de defeitos específicos do café oferecido.

Preservar a separação entre lotes de qualidades distintas é outro cuidado relevante. A mistura pode comprometer a possibilidade de comercializar separadamente um produto de maior valor. O acompanhamento da umidade e das condições de armazenamento continua necessário mesmo depois do encerramento da colheita, para evitar deterioração durante a espera pela venda.

Enquanto negocia a produção disponível, o setor acompanha o desenvolvimento da safra de 2027. A Safras avalia que as primeiras floradas e as chuvas posteriores indicam um começo favorável, mas ressalta que o ciclo ainda está em fase inicial. O comportamento das precipitações e das temperaturas nos próximos meses será decisivo para atualizar as expectativas.

Na propriedade, o planejamento comercial deve reunir a classificação do café, as propostas dos compradores, os custos de armazenagem e as necessidades de caixa. Antes de fechar uma venda, solicitar avaliação de amostras à cooperativa, à assistência técnica ou a um serviço de classificação ajuda o produtor a saber exatamente o que está oferecendo e a negociar com uma referência mais precisa.

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