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China vem avaliar frigoríficos e exiger controle maior de resíduos no campo

Uma missão sanitária chinesa deverá iniciar no próximo domingo, 20, uma auditoria no sistema brasileiro de produção de carnes. A agenda prevista até o dia 28 de setembro envolve frigoríficos, laboratórios e propriedades rurais e poderá resultar na habilitação de novas unidades e na retomada das vendas de plantas temporariamente suspensas.

A lista apresentada às autoridades chinesas reúne 17 unidades industriais das cadeias bovina, suína e de aves. Entre as empresas envolvidas estão JBS, Minerva e MBRF. A aprovação, entretanto, não é automática e dependerá das conclusões dos técnicos sobre os controles sanitários mantidos pelo Brasil.

Ao menos três frigoríficos de bovinos estão no roteiro conhecido. A missão deverá visitar a unidade da JBS em Vilhena, Rondônia, impedida de exportar para a China desde maio, além das plantas da Minerva em Rolim de Moura, também em Rondônia, e do grupo MBRF em Promissão, São Paulo.

Outras unidades permanecem suspensas por Pequim, entre elas frigoríficos localizados em Pontes e Lacerda, Matupá e Várzea Grande, em Mato Grosso, e Araguari, em Minas Gerais. Na cadeia de aves, uma planta de Cafelândia, no Paraná, também está impedida de vender ao mercado chinês. Não há, atualmente, bloqueios a frigoríficos brasileiros de carne suína.

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o governo espera conseguir a reabilitação de unidades suspensas e a aprovação de novas plantas. A visita também poderá abrir caminho para o início das exportações de miúdos bovinos e suínos, produtos que agregariam receita ao abate e hoje possuem menor valorização no mercado interno.

Para o produtor, a ampliação do número de frigoríficos habilitados pode representar maior concorrência pela compra de animais e mais alternativas de comercialização. O efeito tende a ser mais perceptível nas regiões próximas às unidades aprovadas, mas dependerá do volume efetivamente adquirido pela China.

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A visita ocorre em um momento delicado. As exportações brasileiras de carne bovina à China diminuíram fortemente em agosto após o preenchimento da cota anual sujeita à tarifa reduzida. Considerando todos os produtos bovinos, os embarques ao país asiático caíram 88,2% em relação a agosto de 2025 e ficaram em 18,9 mil toneladas.

Entre janeiro e agosto, a China ainda recebeu 899,2 mil toneladas e permaneceu como o principal destino da carne bovina brasileira. No entanto, a limitação estabelecida para 2026 impede que a habilitação de mais frigoríficos se transforme imediatamente em aumento expressivo dos embarques.

As aprovações terão maior importância para os próximos ciclos comerciais e para a distribuição regional da demanda. Um frigorífico reabilitado volta a disputar animais na área onde atua, enquanto uma nova planta habilitada ganha acesso ao principal mercado da carne brasileira.

A auditoria também acontece depois de notificações chinesas sobre resíduos encontrados em produtos de origem animal enviados pelo Brasil. As ocorrências envolvem medicamentos veterinários, antiparasitários e outras substâncias submetidas a limites sanitários no país importador.

Na sexta-feira, 11, o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, concedeu prazo de dez dias para que os estabelecimentos habilitados revisem seus programas de autocontrole e demonstrem o cumprimento das exigências chinesas.

Os frigoríficos deverão reavaliar os riscos relacionados aos resíduos e reforçar a qualificação dos fornecedores. Também terão de estabelecer critérios documentados para decidir quais propriedades e animais podem integrar a produção destinada à China.

A declaração ou Carta de Garantia fornecida pelo pecuarista não deverá ser aceita como único controle quando a análise indicar riscos adicionais. Nesses casos, a indústria poderá ampliar a realização de testes, aumentar a frequência das verificações e restringir a compra de animais de fornecedores com histórico de irregularidades.

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Na propriedade, a mudança aumenta a importância dos registros sobre os medicamentos administrados, as doses utilizadas e as datas dos tratamentos. O produtor também deverá observar rigorosamente o período de carência, intervalo necessário entre a aplicação de um medicamento e o envio do animal ao abate.

A presença de resíduos acima dos limites pode provocar retenção ou devolução de cargas, suspensão do frigorífico e prejuízos para toda a cadeia. Quando as ocorrências estiverem associadas repetidamente a um mesmo fornecedor, a propriedade poderá perder a condição de fornecedora de animais destinados à exportação.

O controle não significa deixar de tratar o rebanho. Medicamentos veterinários continuam essenciais para a saúde e o bem-estar dos animais. A exigência é que sejam usados com orientação adequada, dentro das doses autorizadas e com respeito ao prazo necessário para a eliminação dos resíduos antes do abate.

O reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação fortaleceu as negociações para ampliar o acesso das proteínas animais ao mercado chinês. A abertura para miúdos e a habilitação de novas unidades permitiriam aproveitar melhor cada animal abatido e distribuir os ganhos por frigoríficos e fornecedores.

O resultado da missão, contudo, dependerá do que os técnicos encontrarem nas indústrias, nos laboratórios e nas fazendas. Para a China, não basta a existência de regras sanitárias no papel. Será necessário demonstrar rastreabilidade, capacidade de identificar fornecedores e resposta rápida quando surgir uma não conformidade.

A auditoria representa uma oportunidade comercial, mas também deixa um recado ao campo. A manutenção do maior mercado da carne brasileira dependerá cada vez mais do controle dentro da propriedade, porque um tratamento sem registro ou o descumprimento da carência pode fechar não apenas uma porteira, mas a saída de todo um frigorífico para a China.

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