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Boi gordo sobe no País e ganha força para o fim do ano

O boi gordo avançou nas principais regiões produtoras na semana de 5 a 9 de outubro, ampliando o poder de negociação dos pecuaristas com animais prontos para abate. Em São Paulo, a referência a prazo chegou a R$ 380 por arroba na quinta-feira (08.10), alta de 4,11% sobre a semana anterior – o maior valor da história. A oferta restrita sustenta os preços, enquanto o consumo de fim de ano e a preparação de novos embarques à China entram no horizonte do mercado.

Os frigoríficos trabalham com escalas entre cinco e sete dias úteis, segundo a consultoria. A dificuldade para assegurar animais suficientes para os próximos abates aumenta a disputa pelas boiadas e favorece reajustes. A perspectiva apontada pela Safras permanece positiva no curto prazo, com diferenças entre as regiões.

Em Uberaba (MG), a arroba alcançou R$ 365, alta semanal de 4,29%. Dourados (MS) registrou R$ 370, avanço de 4,23%; Goiânia (GO), R$ 360, aumento de 2,86%; e Vilhena (RO), R$ 355, valorização de 2,90%. Cuiabá (MT) permaneceu em R$ 345. Todas essas referências são para pagamento a prazo e correspondem ao levantamento de quinta-feira.

Para dimensionar o efeito no caixa, o acréscimo de R$ 15 por arroba observado em São Paulo representa R$ 300 a mais na receita bruta de um animal comercializado com 20 arrobas. O ganho efetivo, entretanto, depende dos custos de compra, alimentação e manutenção, além das condições da venda.

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A pecuária chega ao último trimestre depois de um primeiro semestre excepcional nas exportações. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil embarcou 1,705 milhão de toneladas entre janeiro e junho, crescimento de 15,5% sobre igual período de 2025 e recorde para o semestre.

Esse desempenho exige uma distinção: exportar mais não significa que todos os pecuaristas tenham obtido margens maiores. O resultado da propriedade depende também do preço da reposição e das despesas para produzir cada arroba.

Além disso, o comércio exterior perdeu velocidade no terceiro trimestre. Em setembro, os embarques somaram 229,3 mil toneladas, queda de 35,1% na comparação anual. A Abiec atribui a retração principalmente à redução das compras chinesas diante da salvaguarda adotada pelo país. Outros destinos ampliaram suas aquisições, mas ainda não compensaram integralmente essa perda.

A alta recente do boi, portanto, ocorre mesmo com exportações menos intensas. O movimento mostra o peso da disponibilidade de animais na formação dos preços: quando falta gado terminado, a indústria precisa melhorar as ofertas para abastecer suas unidades.

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Para os próximos meses, o mercado terá de combinar a oferta de boiadas com a demanda pelas festas e a entrada do 13º salário. Esse reforço sazonal do consumo pode favorecer as vendas de carne, mas sua intensidade dependerá do orçamento das famílias e da concorrência com frango e suíno.

Outro fator é a preparação das exportações destinadas ao próximo ciclo da cota chinesa. Segundo a Abiec, as empresas começam a se organizar para embarques em outubro e novembro, conforme os contratos e o transporte, para chegada da mercadoria no novo período. Essa programação pode estimular compras de gado antes da virada do ano, embora não assegure valorização contínua.

Do lado da oferta, a evolução das pastagens e a saída de animais dos confinamentos também precisam ser acompanhadas. Uma recomposição das escalas reduziria a urgência dos frigoríficos e poderia moderar os reajustes.

Para o pecuarista, o momento favorece comparar propostas de diferentes compradores e calcular o resultado líquido de cada negócio. A decisão de manter uma boiada pronta à espera de novas altas precisa considerar alimentação, desempenho dos animais e necessidade de caixa. O preço adicional só melhora a margem quando supera o custo de adiar a venda.

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